Dispositivo para radioterapia desenvolvido no IFSC é destaque em Congresso Europeu de Radiologia

EVENTOS Data de Publicação: 20 mar 2026 14:34 Data de Atualização: 30 mar 2026 10:44

A professora Andrea Huhn, do curso superior de Tecnologia em Radiologia e do Mestrado em Proteção Radiológica do Câmpus Florianópolis do IFSC, e a estudante Maria Alice Pircoski D’Amoreira participaram do Congresso Europeu de Radiologia (ECR 2026), realizado de 4 a 8 de março em Viena, na Áustria, um dos maiores eventos mundiais na área de radiologia e diagnóstico por imagem. Ao todo, foram apresentados três trabalhos em formato de pôster, desenvolvidos a partir de pesquisas realizadas na graduação e no mestrado do IFSC.

Destaque para o fantoma inovador

Entre os trabalhos, destacou-se o pôster apresentado por Maria Alice, orientado por Andrea Huhn sobre radioterapia. “O trabalho que ela apresentou, desenvolvido sob minha orientação na graduação, foi um fantoma para ser utilizado no tratamento de radioterapia da mama. Esse fantoma simula a respiração da mulher enquanto ela está fazendo o tratamento”, explica a professora.​

Maria Alice detalhou o projeto, criado para controle de qualidade na técnica DIB (inspiração profunda), que reduz a dose de radiação no coração. “Ele simula uma mama em respiração profunda, com o padrão exato do tratamento, para verificar se o sistema de rastreamento óptico está calibrado – capturando tempo e movimento com precisão controlada”, afirmou. Feito com impressão 3D, o fantoma garante segurança ao paciente com custo muito inferior aos modelos comerciais caros.​

Um fantoma refere-se a um dispositivo ou objeto especificamente concebido para imitar a anatomia humana ou as propriedades dos tecidos. Segundo Andrea, a pesquisa contribui para estudos sobre a influência do movimento respiratório na distribuição de dose durante o tratamento, área de grande interesse para a proteção radiológica e a segurança das pacientes.

Impacto na formação da aluna

A participação em um congresso internacional também teve impacto direto na trajetória acadêmica de Maria Alice, que está prestes a ingressar no mestrado. “Para o nosso aluno participar e presenciar isso é uma condição muito enriquecedora para a formação”, avalia Andrea. “A aluna veio com outras ideias, já para ingressar no mestrado também, fez networking com outros colegas de outros países que estavam lá. Então foi muito bom para ela e, com certeza, vai acrescentar na carreira dela”, destaca.

Maria Alice confessou o nervosismo inicial, mas celebrou a experiência. “Dá um pouquinho de nervoso apresentar em inglês num congresso tão grande, mas é muito incrível e enriquecedora a experiência. Você conhece pessoas, vê tecnologias que não temos no Brasil e abre a mente para o que está evoluindo no mundo”, relatou. Ela credita à orientadora o ganho em confiança e visão ampla: “Ela me ajudou a abrir mais a mente para tecnologias, despertar curiosidade e fazer networking essencial.”

Base sólida do IFSC como diferencial

Para o Mestrado em Proteção Radiológica do IFSC, estar presente em um evento da dimensão do ECR fortalece a internacionalização do programa e amplia parcerias. Andrea ressalta que a participação permite aproximar o grupo de pesquisa de outras universidades com as quais ela já mantém colaboração científica. “É muito importante pela questão da internacionalização, do networking, de outras universidades que a gente já tem parceria, cujos professores eu conheço e com quem fazemos pesquisas juntos. Foi muito importante fazer um contato pessoal com eles, ter essa aproximação maior e conhecer outros colegas para próximos trabalhos em conjunto”, relata.

Maria Alice atribui o sucesso à formação no IFSC. “Tudo começou lá: projetos, professores que me ajudaram a desenvolver o trabalho aceito no evento. O IFSC tem rede excelente de docentes, projetos legais e incentivos para alunos – me deu oportunidades que pavimentaram o caminho até Viena”, enfatizou. “Foi minha primeira experiência internacional pelo IFSC, que abre portas e é bem conectado globalmente.”​

A professora avalia que a experiência em Viena foi decisiva para atualizar conhecimentos e projetar o trabalho desenvolvido no IFSC. “Eu avalio, pessoalmente, como algo muito importante para mim e também para os meus colegas, porque eu consegui trazer coisas novas”, afirma. Ela destaca ainda o contraste entre a tecnologia de ponta vista no congresso e a realidade brasileira, mas aponta que a rede de contatos ajuda a reduzir essa distância. “A gente vê uma tecnologia de ponta lá fora e sabe que vai demorar muito tempo para chegar aqui, mas, com essa rede de contatos que a gente já possui e aumenta com a internacionalização, torna-se viável participar de pesquisas utilizando uma tecnologia maior. Pessoalmente, para mim, é de grande valia e, com certeza, para o meu grupo também”, conclui.

O Mestrado profissional em Proteção Radiológica recentemente foi avaliado com conceito 4 pela Capes, em uma nota que pode chegar a no máximo 5.

 

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