Números e avaliações sobre a temporada de verão em Florianópolis são debatidos em evento

EVENTOS Data de Publicação: 31 mar 2026 11:24 Data de Atualização: 31 mar 2026 15:27

A avaliação da temporada de verão 2025-26 em Florianópolis foi tema de um fórum técnico realizado no Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC. O evento reuniu representantes de órgãos públicos e do setor privado ligados ao turismo. O encontro ocorreu na sexta-feira, 27 de março.

Os dados de uma pesquisa da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio-SC) apresentados pela analista Daniele Cruz indicam diminuição no gasto médio por grupos de visitantes. Ainda assim, o valor de R$ 9.737,00 por grupo de turistas foi o segundo mais alto do período avaliado (desde 2018), ficando atrás apenas dos R$ 10.421,00 registrados em 2024-25, o pico histórico, e quase o dobro de sete anos atrás.

A pesquisa da Fecomércio aponta que houve, pela primeira vez, predomínio de turistas estrangeiros em Florianópolis: 57%, um aumento de quase vinte pontos percentuais em relação a 2018 (37,3%). O maior grupo de visitantes internacionais foi de argentinos (43%). Embora a maioria dos turistas cheguem à cidade de veículo próprio (67,3%), houve aumento expressivo na quantidade dos que vêm de avião: foram 25,7%, contra 18,3% do ano anterior.

Os números sugerem que Florianópolis deixou de ser um destino regional e está se internacionalizando. O crescimento no gasto por grupo de turistas ao longo dos anos indica a vinda de um turista mais “qualificado”, como é classificado no jargão do setor turístico o visitante com mais poder aquisitivo. “Esse é um turista mais exigente. Nós vamos receber mais críticas e ser mais cobrados. Temos que estar preparados para isso”, comentou Daniele.

A maioria dos entrevistados pela Fecomércio (85%), no entanto, avaliaram positivamente Florianópolis como destino turístico, destacando as belezas naturais e a segurança como pontos positivos e o trânsito e a balneabilidade das praias como aspectos negativos. 

Como a academia pode ajudar o turismo

“O que está em jogo é a competitividade do nosso destino”, destacou o professor Tiago Savi Mondo, do Câmpus Florianópolis-Continente, em sua fala sobre como a academia (institutos e universidades) pode contribuir com o turismo. Com o tema “Turismo não se improvisa”, a palestra de Tiago destacou que as instituições de ensino geram conhecimento para aplicação prática e que isso pode ajudar a profissionalizar o setor turístico. “O futuro do turismo é a orientação por dados”, afirmou.

O IFSC tem contribuindo com isso por meio de pesquisas acadêmicas, eventos científicos e formação para o mundo do trabalho. Desde o final do ano passado, o Câmpus Florianópolis-Continente mantém a Central de Inteligência em Turismo de Florianópolis (CIT Floripa), que produz boletins a partir de dados que tenham impacto sobre a atividade turística - incluindo segurança, saneamento e estrutura de saúde. 

“Tudo está conectado no turismo. Ele é uma atividade transversal à vida na cidade. Nem todas as atividades econômicas têm essas características”, destacou o professor.

O fórum técnico teve, ainda, falas sobre o turismo náutico (com Leandro “Mané” Ferrari, presidente da Associação Náutica, a Acatmar), a segurança pública (com o tenente-coronel Dhiogo Cidral de Lima, comandante regional da Polícia Militar em Florianópolis) e de avaliação geral sobre a temporada de verão na cidade (com o secretário municipal de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Inovação, Juliano Richter Pires, e com o presidente da associação sem fins lucrativos Destino Floripa e Região, Rubens Augusto Régis).

O secretário Juliano Pires reconheceu que havia uma expectativa de que mais turistas viessem a Florianópolis no último verão. Ele avaliou que a cidade precisa encontrar mecanismos para tentar estimar com mais precisão a quantidade de turistas, mesmo que não seja possível acertar o total com exatidão, para não frustrar as expectativas do setor turístico e da população que tem fontes de renda impactadas pela atividade turística (como comércios locais e alugueis de casas na temporada).

Para o secretário, as discussões no fórum técnico “foram de alto nível” e ele acredita que o evento pode contribuir com a gestão do turismo na cidade. “Sempre sai uma ou outra alternativa, uma ou outra ideia diferente do que a gente está geralmente pensando. então participar desses eventos realmente é importante,até porque valoriza os alunos, alinha informações com eles e a gente acaba trocando ideias e gerando novos conteúdos e gerando novas soluções, o que eu acho que é o mais importante de toda essa dinâmica”, disse.

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