Câmpus Jaraguá do Sul-Rau debate sobre o enfrentamento à violência contra mulheres

EVENTOS Data de Publicação: 01 abr 2026 18:06 Data de Atualização: 02 abr 2026 11:20

O auditório do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau recebeu, na noite do dia 25 de março, a palestra “Prevenção e combate à violência contra mulheres: homens e mulheres juntos na construção de uma sociedade mais justa”. A atividade, realizada aproximadamente das 19h às 20h, integrou as ações em prol do 8M e, no câmpus, contou com a parceria do Coletivo de Mulheres Progressistas de Jaraguá do Sul, da Seção Sindical Sinasefe IFSC e da Polícia Militar de Santa Catarina, que autorizou a participação da palestrante.

A atividade foi ministrada pela Sgt PM Monalisa e teve como objetivo sensibilizar a comunidade acadêmica sobre a responsabilidade compartilhada para a construção de uma sociedade livre de violências. A escolha da data do evento – dia 25 de março – também teve um simbolismo: em alusão ao dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. A ONU Mulheres instituiu a campanha do “Dia Laranja”, que propõe que todo dia 25 seja marcado pela reflexão e luta contínua, e o câmpus Rau aderiu à campanha há alguns anos, incluindo os “Dias Laranjas” no calendário anual.

No Câmpus Jaraguá do Sul-Rau, os estudantes são quase todos adultos, frequentando cursos técnicos subsequentes, engenharias e um tecnólogo. Além disso, em virtude dos eixos tecnológicos do câmpus – processos industriais nas áreas de mecânica, elétrica e informática –, a comunidade acadêmica é majoritariamente masculina – o que torna a pauta de gênero central. “Buscamos construir um momento de formação pensando em como acessar nossos estudantes acolhendo a presença de mulheres e sensibilizando homens enquanto co-partícipes na construção de uma sociedade mais justa e sem violência”, destacou a servidora Paula Correa, uma das organizadoras do evento.

Em sua fala, a Sgt PM Monalisa compartilhou sua trajetória pessoal, refletindo sobre sua experiência ao estudar em um curso tecnológico e, posteriormente, ao ingressar em uma corporação majoritariamente masculina. Também foi contextualizada a implementação da Rede Catarina, programa institucional da Polícia Militar de Santa Catarina criado em 2017 que integra o atendimento da corporação com o de outras entidades que compõem a rede de proteção a vítimas de violência, como CRAS, CREAS, delegacias e casas de acolhimento.

Dados alarmantes

Monalisa apresentou dados que expõem a realidade do município de Jaraguá do Sul, o qual se destaca pelo alto número de casos de violência doméstica. Em 2025 foram registradas 664 medidas protetivas de urgência, 990 visitas realizadas por equipe especializada, 638 ocorrências deste tipo e 206 botões do pânico ativos – funcionalidade disponível no aplicativo PMSC Cidadão que, para pessoas resguardadas por medida protetiva, permite acionar o atendimento prioritário em até dez segundos com um toque. Já em 2026, até o dia 20 de março, foram contabilizadas 147 medidas protetivas, 198 visitas, 161 ocorrências e um novo botão do pânico ativado, totalizando 207.

Durante a palestra também foi mencionado que grande parte dos boletins de ocorrência lavrados indicam uso ou abuso de drogas lícitas ou ilícitas e a não aceitação do fim de relacionamentos como fatores associados aos casos.

No debate que se seguiu, as pessoas presentes refletiram sobre as diversas manifestações de violência, relacionadas muitas vezes a situações do cotidiano e pensando em como a violência ganha escala e é alimentada por coisas que muita gente ainda considera “piada”. “Assim, a tolerância com ‘microviolências’ alimenta a lógica que lá na frente pode ‘justificar’ violências ainda mais severas”, destaca Paula.

Além da Sgt PM Monalisa, contribuiu com a palestra a servidora municipal Shirley, que está cedida para atuar na Rede Catarina. Os estudantes, por sua vez, demonstraram atenção e interesse no tema da noite, fazendo perguntas e reflexões.

O que fazer no IFSC

A nível institucional, em 2023, por meio da Resolução 01 do Conselho Superior (Consup), o IFSC publicou a sua “Política de Prevenção e Combate ao Assédio Moral, ao Assédio Sexual e às demais Violências no IFSC”. O documento estabelece diretrizes no sentido de proteger a comunidade acadêmica contra diversas formas de violência e orienta o processo de acolhimento das vítimas, de registro e processamento de denúncias.

“É importante lembrar que todo aquele que presenciar ou acreditar ter sido vítima de violência pode buscar a rede de proteção. Internamente, a Política do IFSC orienta a acessar pessoa de confiança ou relatar diretamente à Ouvidoria do IFSC através da plataforma Fala.BR”, destaca Paula.
 

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