BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 10 fev 2026 11:39 Data de Atualização: 10 fev 2026 11:49
Neste mês, os últimos quatro intercambistas que participaram do nosso Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC, o Propicie, no segundo semestre do ano passado retornam para o Brasil. Eles já compartilharam seus relatos iniciais por aqui e agora destacamos algumas impressões finais de cada um com essa experiência transformadora que é participar de um intercâmbio.
Gabriele Camile Albino | Curso de licenciatura em Física do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro - Portugal
A amizade passou a ter um significado ainda mais profundo. Estar longe de casa faz com que os laços criados durante esse período ganhem um valor especial, pois são construídos a partir do apoio mútuo, da convivência diária e das experiências compartilhadas. As pessoas que conheci ao longo do intercâmbio deixaram de ser apenas colegas e se tornaram uma verdadeira rede de acolhimento. Aos poucos, as conversas, os momentos simples do dia a dia e a troca de vivências fortaleceram essas relações. Aprendi que a amizade em um contexto de intercâmbio nasce da escuta, do respeito às diferenças e da disposição para compartilhar tanto desafios quanto conquistas. Levo comigo a certeza de que essas conexões ultrapassam fronteiras e permanecem como uma das partes mais significativas dessa experiência.
Após cinco meses no projeto de metalinguística, adquiri uma compreensão mais profunda de como as crianças refletem sobre a própria linguagem durante a produção textual. A experiência de transcrição e análise das falas ampliou meu olhar para os processos criativos, a oralidade e as estratégias linguísticas utilizadas pelos alunos. O projeto possibilitou a articulação entre teoria e prática e contribuiu significativamente para minha formação acadêmica e docente, reforçando a importância da escuta e da valorização da linguagem no processo educativo.
Minha rotina ao longo desses cinco meses tem sido marcada por um equilíbrio entre as atividades do projeto, os estudos e o cotidiano da casa. Durante a semana, dedico boa parte do tempo às tarefas acadêmicas, especialmente à análise dos materiais e às transcrições das falas das crianças, o que exige concentração e organização. No dia a dia, a rotina inclui tarefas domésticas, como cozinhar, além de momentos de convivência com colegas, que ajudam a tornar a experiência mais leve. Aos fins de semana, sempre que possível, aproveito para descansar, explorar a cidade e conhecer um pouco mais da cultura local. Essa rotina, apesar de simples, tem sido fundamental para minha adaptação e para aproveitar ao máximo a experiência acadêmica e pessoal. Estou indo visitar o grupo escoteiro da cidade no final de semana, conhecendo sobre o movimento escoteiro.
Estar longe da família, dos amigos e da rotina no Brasil faz com que pequenos detalhes do dia a dia ganhem ainda mais significado, como as conversas presenciais, os encontros espontâneos e, claro, os sabores de casa. Em alguns momentos, a distância pesa, especialmente em datas importantes ou quando surge a vontade de compartilhar conquistas e dificuldades de perto. Ao mesmo tempo, a saudade também se tornou uma forma de conexão. Ela reforça os laços com quem ficou, valoriza as memórias e dá ainda mais sentido à experiência vivida aqui. Aprendi a conviver com esse sentimento, transformando-o em motivação para aproveitar cada oportunidade e em gratidão por tudo o que essa vivência tem proporcionado.
Leia o primeiro relato da Gabriele
Bárbara Thiem Curso de graduação em Agronomia do Câmpus Canoinhas - Portugal
Durante o meu intercâmbio, tive o privilégio de explorar lugares que antes só via em fotos. Minhas últimas viagens pela região de Lisboa foram transformadoras: senti a paz espiritual de Fátima, vi a imponência do mar na Nazaré, caminhei pelas muralhas medievais de Óbidos durante o mercado de natal e me perdi nos encantos de contos de fadas de Sintra e Cascais. São memórias que carregarei para sempre.
Finalizar o ano em Roma, na Itália, foi a realização de um sonho que superou todas as minhas expectativas. Caminhar pela cidade foi como visitar um museu a céu aberto: fiquei diante da grandiosidade do Coliseu, admirei a arquitetura perfeita do Pantheon e, claro, fiz meu pedido na mágica Fontana de Trevi.
No entanto, o momento mais marcante dessa viagem foi, sem dúvida, a visita ao Vaticano. Foi uma experiência avassaladora. Ao pisar naquele lugar sagrado, fui tomada por uma emoção inexplicável, algo que transcende a beleza visual e toca a alma. Vivenciar a história e a fé pulsante daquele local foi um privilégio que marcou profundamente.
No laboratório, tenho dado continuidade às análises dos compostos fenólicos em folhas e bagos da casta Loureiro, proveniente do Vale do Lima. A rotina diária ao lado dos técnicos e professores da ESA (Escola Superior Agrária) tem sido uma fonte inesgotável de aprendizado; admiro profundamente a didática, a paciência e o rigor técnico com que me orientam.
Ao longo destes meses, conquistei uma autonomia significativa na execução dos protocolos. Essa independência na bancada não apenas aprimorou minhas habilidades técnicas, mas foi fundamental para o meu crescimento pessoal. Hoje, sinto-me muito mais confiante na condução de trabalhos científicos e consigo enxergar com clareza o meu potencial como pesquisadora. Essa vivência confirmou que estou no caminho certo e preparada para contribuir ativamente na área de fruticultura e enologia.
Embora minha rotina acadêmica e no laboratório siga um ritmo já conhecido e estável desde o início do intercâmbio, o cenário ao meu redor mudou drasticamente. O inverno europeu chegou com força total e mostrou sua verdadeira face. Aqui em Viana do Castelo, a estação é intensa: o vento constante e as chuvas frequentes fazem a sensação térmica despencar, criando um frio que penetra os ossos. Essa nova realidade climática acelerou minha adaptação aos costumes gastronômicos da região. Aprendi a valorizar a sabedoria local, especialmente o hábito de consumir sopa antes do prato principal. Se antes eu estranhava essa tradição, hoje compreendo perfeitamente sua função. A sopa tornou-se uma aliada indispensável para enfrentar o frio, proporcionando conforto térmico e energia para seguir o dia. É interessante perceber como a cultura local se molda às necessidades do ambiente, e como, aos poucos, passamos a fazer parte disso.
A saudade do Brasil, da minha família e do nosso calor aperta a cada dia que passa. Confesso que já estou contando os dias no calendário para o retorno, ansiosa pelo abraço dos meus. No entanto, vive-se agora um paradoxo sentimental: ao mesmo tempo que quero voltar, já começo a sentir a 'pré-saudade' deste lugar que me acolheu tão bem. Nesses meses, Viana do Castelo e Portugal deixaram de ser apenas um destino de viagem para se tornarem minha casa. As ruas, a rotina e, principalmente, as pessoas, criaram raízes em mim. Já sinto um aperto no peito ao pensar em me despedir dos amigos que fiz aqui. Foram conexões verdadeiras, amizades construídas na convivência diária e no apoio mútuo, laços que tenho a absoluta certeza que levarei para a vida toda, independentemente da distância.
Leia o primeiro relato da Bárbara
Clarice Barreto de Souza | Curso superior de tecnologia em Sistemas de Informação do Câmpus Caçador - Finlândia
Após o envio do último relato, minha experiência de intercâmbio entrou em sua reta final. Este período foi marcado pelo equilíbrio entre o descanso durante as festas de fim de ano, a conclusão das atividades do projeto e os preparativos logísticos para o meu retorno ao Brasil. No início do mês passado, aceitei um convite do professor Fernando Pacheco, que leciona robótica na HAMK em Riihimäki e já atuou no IFSC em Florianópolis.
Foi interessante notar as similaridades e diferenças entre os campus, já que Riihimäki situa-se na mesma região de Hämeenlinna. Além de conhecer a infraestrutura local, participei de um evento de integração com alunos, funcionários, professores e parceiros municipais. O encontro além de celebrar o encerramento do ano propôs uma reflexão sobre as possibilidades de desenvolvimento futuro para os estudantes.
Em relação ao projeto da ferramenta de comparação, encontro-me na etapa de conclusão, está agora focado nos últimos ajustes: a implementação da internacionalização, permite a adaptação do sistema para múltiplos idiomas, e o deploy (publicação da aplicação).
Para quem pretende realizar um intercâmbio, minha dica é: se tiver a oportunidade, apenas faça, mesmo se estiver inseguro. O intercâmbio proporciona uma intensa curva de aprendizado. A convivência diária com tantas culturas diferentes é a parte mais valiosa para abrir novos horizontes.
Leia o primeiro relato da Clarice
Antonio Rinaldi Filho | Curso superior em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba - Portugal
Minha experiência de intercâmbio acadêmico em Portugal representou um marco significativo em minha trajetória pessoal e formativa. Durante o período em que estive no exterior, atuei como representante do IFSC – Câmpus Garopaba, tendo a oportunidade de vivenciar um contexto educacional, cultural e social distinto, que contribuiu de forma relevante para minha ampliação de perspectivas, autonomia e senso de responsabilidade institucional. O intercâmbio proporcionou contato direto com novas metodologias de ensino, diferentes formas de organização acadêmica e uma imersão cultural que favoreceu o desenvolvimento de competências como adaptação, comunicação intercultural e amadurecimento pessoal. Essas experiências, embora nem sempre mensuráveis por indicadores tradicionais de desempenho, constituem aprendizados profundos e duradouros, que impactam diretamente minha formação como estudante e cidadão, agora,felizmente, estou ajudando colegas que virão e buscaram contato com informações relevantes.
Leia o primeiro relato do Antônio
Intercâmbio no IFSC
Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.


