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Uma experiência rica e surpreendente

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 09 dez 2025 10:52 Data de Atualização: 09 dez 2025 10:56

O relato desta semana é da Letícia Floriani Rodrigues, da 7ª fase do curso técnico em Química do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. A estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESA - IPVC). Ela já retorna na próxima semana para o Brasil, mas nos contou como foi viver esta experiência.

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Fazer intercâmbio em Portugal tem sido uma das experiências mais ricas e surpreendentes  da minha vida. Mesmo sendo um país que fala português, logo percebi que a língua aqui tem outra  personalidade, com palavras diferentes, expressões curiosas e um sotaque que, no início, me  deixava completamente perdida. Lembro de vezes em que precisei pedir para repetirem três vezes  a mesma frase. Mas, com o tempo, tudo ficou natural, hoje entendo praticamente tudo e, se calhar,  até consigo imitar o sotaque português. 

Durante esse período, fiz muitos amigos, tanto outros intercambistas do IFSC quanto colegas  da escola. O alojamento ajudou muito nisso, porque convivemos juntos bastante e sempre acaba  surgindo uma conversa que vira amizade.  

Visitando várias cidades portuguesas, reparei que as menores têm uma semelhança  encantadora entre si, com ruas estreitas, construções típicas e um clima calmo que parece ter saído  de um filme. Já as cidades grandes carregam identidades fortes e únicas. Outra coisa que sempre  chama a atenção são as igrejas, verdadeiras obras de arte repletas de detalhes, figuras, história e  muito ouro. Mesmo quem não é religioso acaba se impressionando. 

Na instituição, algo que observei é o costume dos portugueses de almoçarem tarde, muitas  vezes entre 13h e 14h. Essa diferença cultural foi curiosa no começo, mas logo me adaptei. No  laboratório, onde desenvolvo meu projeto, percebi também diferenças na forma de trabalhar de  alunos e professores. Senti que os processos poderiam ser mais organizados e técnicos, mas, por  outro lado, os técnicos do laboratório são bem capacitados e estão sempre dispostos a ajudar. 

O projeto em si acabou ficando um pouco atrasado, e algumas das minhas expectativas  iniciais não foram totalmente atendidas, especialmente em relação à metodologia. Ainda assim,  seguimos avançando sempre que possível. Meu projeto é sobre o reuso de subprodutos da  vinicultura das regiões de Ponte de Lima e Ponte da Barca. Eu e meu colega intercambista, Lucas,  trabalhamos junto com o Miguel, um estagiário do laboratório. Primeiro fizemos a separação dos  componentes desses subprodutos, e agora estamos realizando diferentes testes e caracterizações  para avaliar seu possível reaproveitamento. Como toda pesquisa, enfrentamos dificuldades,  principalmente na separação, além de atrasos quando dependemos de técnicos ou de outras etapas  do processo. 

Mesmo assim, aprendi muito, incluindo técnicas novas e equipamentos que nunca tinha  visto, nos quais ampliaram demais minha visão profissional e acadêmica. Sei que tudo isso volta  comigo na bagagem, não só como aprendizado acadêmico, mas como crescimento pessoal. Aprendi  a confiar mais em mim, a resolver problemas sozinha e a me adaptar rapidamente, lições que só a  vida fora de casa proporciona. 

Atualmente moro no Lar Maria Pia, uma instituição ligada à Santa Casa da Misericórdia aqui  de Ponte de Lima. Consegui a vaga ainda no Brasil pela plataforma dos Serviços de Assistência Social do IPVC, o SAS. Primeiro fiquei em um quarto duplo com banheiro e depois mudei para um quarto  triplo com banheiro compartilhado. Hoje moro com duas meninas e tem sido uma convivência  ótima. 

Minha rotina é bem marcada. Acordo, vou ao ponto de ônibus e sigo para o IPVC de  autocarro, geralmente comendo algo no caminho. No laboratório, trabalhamos pela manhã,  almoçamos e seguimos com as atividades até o fim da tarde. Quase sempre volto de boleia com a  técnica Maria da Conceição, ou como todos a conhecem, Dona Suzy. Ao chegar no alojamento, tomo  café, trabalho algumas horas no meu home office para uma agência de marketing, tomo banho e  descanso para começar tudo de novo no dia seguinte. Mas, claro, há exceções. Às quartas vamos ao  famoso Continente fazer as compras da semana e lavar roupas. Nos fins de semana quase sempre  viajamos. Enquanto escrevo este relato, por exemplo, estou indo para Londres! 

Tenho cozinhado todas as semanas no alojamento. Eu e Lucas preparamos nossas marmitas  para levar ao IPVC, o que é mais prático e econômico. A comida portuguesa é bem diferente da  brasileira, menos temperada, mas ainda sim, muito boa. No restaurante do IPVC tive a chance de  experimentar pratos típicos como bacalhau com natas e rojões. E, claro, minha paixão gastronômica  absoluta, o pastel de nata. 

Meus pais sempre me apoiaram desde a candidatura e, como vim sem bolsa, tivemos  conversas importantes sobre organização e custos, por conta disso, não teve uma reação  propriamente dita. Não foi minha primeira viagem para fora do país nem minha primeira vez de  avião, mas foi a segunda depois de muitos anos e confesso que bateu aquele frio na barriga. Sinto  muita saudade da minha família, dos amigos e dos meus gatos, por isso falo com meus pais todos  os dias e com meus amigos pelo menos uma vez por semana.  

Para quem pretende fazer intercâmbio, minha maior dica é planejar tudo com antecedência.  É importante organizar documentos, moradia, transporte, viagens e finanças para evitar chegar  perdido, como aconteceu comigo em alguns momentos. Planeje-se economicamente para não  passar aperto, equilibre lazer e responsabilidades e, se puder, viaje. Estar em outro continente é  uma oportunidade única de explorar culturas e países vizinhos. E acima de tudo, viva intensamente  essa experiência. Ela passa rápido, mas deixa marcas, histórias e aprendizados que ficam para  sempre!

 

Intercâmbio no IFSC

Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.

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