BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 17 nov 2025 11:02 Data de Atualização: 02 dez 2025 10:36
A estudante Júlia Rafaela Hanauer está na 7ª fase do curso técnico em Química integrado ao Ensino Médio do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. Desde setembro, ela está em Portugual onde participa do projeto de pesquisa “Pyhtopharremoval” no Instituto Politécnico de Beja pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie.
Vejam como tem sido esta experiência para a aluna no relato abaixo:
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Estar em Portugal tem sido a realização de um sonho de infância e uma experiência transformadora. Desde a minha chegada, fui muito bem acolhida pelas pessoas, o que facilitou minha instalação, apesar da dificuldade inicial de adaptação ao fuso horário (quatro horas a mais que no Brasil). Atualmente, moro no alojamento da instituição, que fica a apenas 2 minutos de onde estudo. Aqui, divido o quarto com outra brasileira, que chamo de amiga, a Larissa Pires, que também veio para cá pelo programa Propicie do IFSC Câmpus Palhoça Bilíngue. É um grande alívio ter alguém para compartilhar e contar nessa jornada de perto comigo.
Em relação à língua, embora seja português, já notei várias diferenças, como "casa de banho" para banheiro. No entanto, o inglês é o idioma dominante nas nossas conversas, usado em mais de 90% do tempo, pois todas as aulas e encontros de intercâmbio são nesse idioma. Isso até me levou a uma situação engraçada no início, ao me dirigir em português a um colega estrangeiro. Vez ou outra, o cérebro ainda nos confunde: a gente esquece que se falarmos na nossa língua materna, poucos ou ninguém nos entende, o que é muito confuso de assimilar. É curioso como uma língua que me parece tão fácil de falar soa totalmente incompreensível para eles. Muitas vezes, brincamos uns com os outros, falando na nossa língua materna só para confirmar se a pessoa realmente não nos entende — é um desafio divertido, especialmente sendo esta a minha primeira vez fora do Brasil.
A convivência tem sido maravilhosa e enriquecedora, permitindo-me fazer amizades com pessoas de diversas nacionalidades, como Montenegro, Geórgia, Ucrânia, entre outras, além de portugueses e brasileiros. Nós costumamos organizar encontros semanais com jantares e danças típicas, literalmente descobrindo o mundo em Beja. É como se eu tivesse conhecido diversas culturas em um lugar só. Cozinhamos, cantamos, dançamos e compartilhamos um pouco das nossas raízes.
Culturalmente, o que mais me chama a atenção é a diversidade de estrangeiros — irônico, pois é por conta deles que falamos mais inglês do que português, mesmo estando em Portugal. Além disso, a arquitetura das cidades é bem característica e única, parecendo coisa de novela. E, claro, as comidas diferentes, que em sua maioria levam peixe, muita sopa e pouco feijão e arroz, como estava acostumada no Brasil.
Na parte acadêmica, estou desenvolvendo o projeto PhytoPharremoval, que visa avaliar a remoção de carbamazepina em águas residuais por fitorremediação. Meu papel envolve alimentar o sistema com água residual e realizar a coleta e análise das amostras. A única dificuldade encontrada até agora foi o adiamento do início efetivo das atividades devido a um atestado médico da coordenadora, mas aproveitei o tempo para estudar e auxiliar em outros projetos do laboratório. Nesses outros projetos, estou aprendendo técnicas que serão fundamentais para o meu trabalho principal, como habilidades para a caracterização da água e a utilização de equipamentos de ponta, com os quais nunca havia tido contato.
Academicamente, estou absorvendo novos métodos laboratoriais e sistemas de análise. Pessoalmente, amadureci muito, desenvolvendo autonomia por morar sozinha, já que agora tenho que fazer meu próprio mercado, cozinhar, lavar minhas roupas e pagar minhas contas, tudo por conta própria. Também estou aprendendo a valorizar o coletivo e a diversidade cultural em um ambiente internacional, em contato constante com pessoas de lugares tão diferentes do mundo. O principal aprendizado de vida que levo é que "Nenhum sonho é grande demais" e que é preciso correr atrás para realizá-los. Eu achava que o intercâmbio seria apenas um sonho distante, e agora ele se tornou uma realidade.
Moro em um alojamento feminino da universidade, vaga que consegui pelo site da própria instituição. Minha rotina é organizada: passo a manhã e à tarde no laboratório e, no final do dia, gosto de caminhar ou correr. À noite, me reúno com os amigos do intercâmbio. Eu mesma preparo minhas refeições (cozinho meus almoços e jantares na cozinha do alojamento e lavo minhas roupas aqui também), mas já experimentei alguns pratos típicos deliciosos, como o famoso pastel de nata, de que gostei muito.
Esta é minha primeira viagem internacional e a primeira vez que andei de avião, o que torna a experiência ainda mais especial e marcante. Para lidar com a saudade, converso com a minha família todos os dias por mensagens, onde trocamos fotos e vídeos que nos mantêm conectados neste momento.
Por fim, o conselho que deixo para futuros intercambistas é: não desistam dos seus sonhos e acreditem no poder dos seus objetivos. Se você sonha com alguma coisa, acredite e se dedique. Pode ser com 18, 40 ou 60 anos, por que não? E por que não ser você o próximo intercambista do Propicie? Foi assim que eu pensei, foi isso que me motivou a participar do programa. E agora eu estou aqui, realizando o sonho da minha vida.
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Intercâmbio no IFSC
Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.
