BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 16 dez 2025 17:55 Data de Atualização: 16 dez 2025 18:18
O relato desta semana é do Lucas Felipe Reus Rieger, da 6ª fase do curso técnico integrado em Modelagem do Vestuário do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. O estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESA - IPVC). Lucas retorna esta semana para o Brasil.
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Estando mais tempo aqui, me acostumei muito bem tanto com o sotaque como com o jeito de se falar o idioma. O português daqui é mais formal comparado ao que nós falamos no Brasil, as construções são um pouco diferentes, mas tudo faz sentido, o que pode ser complicado é entender em que momento se fala algo com essa diferença, o que não soa tão natural. Ainda assim, passados já dois meses, a língua não é problema algum para mim e me sinto bem em entender e também em ser entendido, e todos são bem solícitos caso tenhamos quaisquer dificuldades em nos entender, o que é muito positivo.
Aqui na residência em que estou morando tem poucas pessoas que ficam nos finais de semana e a maioria já se conhece pois tem aulas juntos ou algo assim, então nas primeiras semanas foi um pouco mais difícil realmente se aproximar de alguém. Porém, nos últimos tempos eu e a Letícia nos aproximamos de outras meninas que moram aqui, pois pegamos o mesmo ônibus, temos horários parecidos e acabamos criando um laço. Além de mim e da Letícia, temos mais duas brasileiras e duas portuguesas nesse nosso grupo de amigos, acredito que esse ponto de sermos estrangeiros também nos aproximou bastante. Essas duas brasileiras moram aqui em Portugal e fazem a faculdade no mesmo lugar que a gente, e não são intercambistas como nós. Antes de vir para cá eu imaginei que isso aconteceria, leva um tempo até você se adaptar e achar as pessoas que se encaixam, e infelizmente quando é criado esse laço já está quase na hora de ir embora, mas mesmo assim, é incrível além de estar aqui, ainda ter esse contato mais próximo das pessoas que são daqui.
Um ponto que eu estava um pouco apreensivo antes de vir para cá era relacionado ao preconceito que poderíamos sofrer de alguma forma. Porém, até então não tivemos nenhum problema com isso, as pessoas não parecem se importar que somos brasileiros, e se sim, não demonstram, então tudo ótimo. Aqui em Portugal tem muitos brasileiros também, é muito comum acharmos em qualquer lugar. Uma das cidades que visitamos, Braga, acredito que era a que mais tinha, ou que mais reparei, em todos os lugares era extremamente provável de se encontrar, sendo turista ou morador.
O projeto que estamos trabalhando trata do reaproveitamento do descarte dos subprodutos da produção de vinho da região, e nossa pesquisa abrange as vinícolas de duas cidades: Ponte de Lima e Ponte da Barca. Nos primeiros momentos nós estávamos focados em separar e tratar os subprodutos para posteriormente trabalharmos em cima deles. Agora, nosso foco está sendo fazer diversos testes que determinam as propriedades desses materiais, abrangendo a parte físico-química. Até então, estamos nesse processo pois temos muita quantidade de material de estudo e muitos testes a serem feitos. Como esse projeto se trata de um estágio de um colega que estuda no instituto, ele seguirá com os estudos deste até o ano que vem, então sairemos daqui tendo dados e a experiência, porém sem o trabalho completo, apenas acompanharemos de longe ao retornarmos.
Em nossa rotina, trabalhamos o dia inteiro no laboratório, utilizamos o transporte do instituto e temos carona no fim do dia, moramos na residência, e aproveitamos para viajar aos finais de semana. Ultimamente as coisas têm se tornado mais reais e comuns, então diminuí a frequência de passear mais pela cidade, isso se dá pelo frio que começou com força por aqui também. Porém, a cidade ainda tem sua beleza e é um privilégio poder conhecer sempre um pouquinho a mais e ter um contato com ela a cada dia.
Além da rotina comum, nossa dinâmica dos testes no laboratório por vezes não nos necessita todos os dias lá, então temos dias mais livres para descansar um pouco mais dos passeios do final de semana, ou conseguir ir ao mercado mais cedo. Assim, os dias são no instituto e tento passar tempo atualizando quem está longe, interagindo com o pessoal daqui e aproveitando esses momentos.
Estou aproveitando para viajar muito e conhecer o máximo possível daqui de Portugal e da Europa. Já fomos a diversas cidades portuguesas, pois são muito bonitas e é muito fácil se locomover dentro do país com os ônibus, e também à Espanha, onde já visitei três cidades, incluindo Madri. Ainda temos viagem planejada para Londres, Paris, pretendemos voltar ao Porto, e passar nosso último final de semana em Lisboa. Sempre foi um sonho muito grande para mim, e estar fazendo isso e tão cedo é tão incrível, tudo é muito lindo e me dá cada vez mais vontade de voltar e conhecer mais e se possível até morar aqui. As paisagens ajudam, mas também estou explorando meu gosto por tirar fotos, então para todo lugar carrego minha câmera, ou com o celular mesmo, e são infinitas as fotos até agora.
Desde o início, eu e a Letícia nos tornamos muito parceiros para todas as coisas e a cozinha foi uma delas, então nos organizamos para fazer as compras juntos e preparar nossas marmitinhas para a semana, economizando e comendo bem. Além disso, esse tempo aqui me deu mais vontade de experienciar mais a cozinha, pois nunca tive muito interesse, e acabou que aqui está se tornando até um hobby que pretendo explorar um pouco mais em casa.
Já estamos quase indo embora e ainda não experimentei o prato de bacalhau tão famoso, mas ainda pretendo. Desde que eu cheguei aqui são incontáveis os pastéis de nata que já comi, é algo muito tradicional e que tem em todo lugar, e são realmente muito bons. Quando for embora vou ter que aprender a fazer eu mesmo, tanto pra matar a vontade quanto para que os outros experimentem também. Como todos os lugares e cidades têm, tento provar vários para comparar, e, até então, tem uma padaria perto da ponte D. Luís no Porto que é a minha favorita sem dúvidas.
É impossível não sentir saudades, não sei se é o tempo longe ou se é porque está chegando cada vez mais perto de reencontrar minha família e meus amigos, mas o aperto no peito vai aumentando a cada dia. Ainda assim, penso o mesmo desde que cheguei, que eu estou muito feliz por estar aqui e esse sempre foi meu sonho e eu sei que todos que eu sinto saudade e que sentem saudade de mim sabem disso e também estão muito felizes por mim, o que me conforta. Também não sei dizer se ter essa data de volta me faz me sentir mais tranquilo com a saudade ou não, pois se torna agora uma ânsia de voltar, mas também sei que depois vai ser a saudade de tudo aqui. No geral, eu tento equilibrar esses pensamentos, pois sei que logo estou de volta e que tenho que focar em aproveitar os momentos aqui. Então, sim, a saudade é imensa, mas estar aqui é um sentimento indescritível e logo tudo vai passar, e penso que tenho que aproveitar cada dia da melhor forma possível.
Acredito que tudo que eu falei se for lido por alguém que pensa em um intercâmbio já pode ser o suficiente do que eu teria a dizer diretamente, mas de verdade, isso tudo é uma oportunidade única, e se de alguma forma você puder ao menos tentar, tente e agarre com todas as forças, são momentos extremamente diferentes de tudo que você está habituado, mas ainda assim é uma forma tão incrível de viver cada dia e qualquer sensação, seja boa ou ruim, vale a pena porque tudo passa e só te faz crescer, então tem que ser aproveitado ao máximo. Sou grato todos os dias por essa oportunidade :)
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