EXTENSÃO Data de Publicação: 02 abr 2026 19:05 Data de Atualização: 02 abr 2026 19:14
O laboratório de química do Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) é o cenário de uma iniciativa que vai muito além das fórmulas e reações. O projeto Nanoessência, que acaba de iniciar um novo ciclo com cinco novas bolsistas, tem como missão principal promover a equidade de gênero, estimulando alunas do ensino fundamental e médio a se apropriarem do mundo da ciência, da tecnologia e da inovação.
O Nanoessência é uma realização conjunta entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que submeteu a proposta ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o IFSC e a empresa NanoScoping, especializada em nanocosméticos. A meta é impactar estudantes de cinco a sete escolas da região, que são convidadas a visitar os laboratórios e participar de oficinas práticas gratuitas em suas unidades.
A professora Berenice da Silva Junkes, coordenadora local do projeto, explica a dinâmica da parceria. "O nosso papel no IFSC é justamente produzir as oficinas aqui no Câmpus Florianópolis, fazer com que essas meninas nos visitem, conheçam a instituição e o laboratório de química. Elas participam do desenvolvimento e também visitam a UFSC e a empresa de nanocosmético", complementa.
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A vez do novo ciclo
Previsto para durar três anos (de 2025 a 2027), o projeto do IFSC foi estruturado em ciclos anuais para beneficiar o maior número possível de estudantes da própria instituição. A cada ano, cinco novas alunas do curso Técnico Integrado em Química são selecionadas como bolsistas. A função delas é pesquisar, formular os cosméticos e atuar como oficineiras para as meninas mais novas das escolas visitantes.
"As bolsistas têm uma carga horária semanal com encontros duas vezes na semana aqui, além da pesquisa bibliográfica em casa. O nosso papel é capacitar e estimular as alunas a montarem essas oficinas que a gente vai oferecer dentro do projeto. A gente vai apresentando os temas de cosméticos e nanotecnologia e elas escolhem o que será formulado", detalha a professora Renata Pietsch Ribeiro.
Se no ciclo de 2025 o grande sucesso das oficinas foram as "bombas efervescentes" de banho, o grupo que assume agora em 2026 já tem um primeiro desafio prático na mesa. "A primeira tarefa para esse novo grupo vai ser ofertar uma oficina de formulação de um óleo de banho, que as meninas do ciclo anterior desenvolveram, mas não deu tempo de montar a oficina. Depois disso, elas vão desenvolver o que se interessarem", complementa Renata.
Representatividade e portas abertas
Para a estudante da 6ª fase do Técnico em Química, Mariana Corrêa Pedroso, uma das novas bolsistas do ciclo de 2026, a pesquisa vai agregar conhecimento não apenas para o seu futuro acadêmico na área da saúde, mas também para fortalecer a causa feminina.
"Eu queria ter mais conhecimento em relação a técnicas de laboratório e também poder ter essa visibilidade das mulheres na ciência. Eu acho muito legal, porque para eu estar aqui hoje, no ano passado já tiveram outras cinco meninas. É uma coisa muito importante para quem está começando agora e para quem vai começar lá na frente", reflete a estudante.
Segundo a professora Berenice, a essência do projeto reside em quebrar estereótipos sobre profissões e áreas de atuação. "A ideia é a gente ter a equidade, né? Conseguir mostrar para as meninas e mulheres que elas podem atuar na biomedicina, na matemática, na física, na química... na área que elas desejarem. Como a sociedade tem essas áreas mais dominadas por homens, estimular as meninas desde jovens é mostrar que nós podemos atuar e temos capacidade para isso", avalia Berenice.
Além de formar futuras cientistas, o Nanoessência atua como uma importante vitrine do IFSC para a comunidade externa. Segundo as professoras, já existem casos de alunas de outras escolas que, após participarem das oficinas do projeto, se apaixonaram pela infraestrutura e hoje são estudantes regulares do ensino médio integrado do Instituto.
"A gente tem coisas aqui que a gente fica: 'Meu Deus, não sabia que tinha isso no IFSC!'. São realmente muito grandes as oportunidades e os projetos que a gente tem aqui dentro, coisas que não se vê em escolas gerais. Sou muito grata", finaliza a bolsista Mariana.