PESQUISA Data de Publicação: 20 mar 2026 14:19 Data de Atualização: 30 mar 2026 10:44
O Laboratório de Drones do IFSC Câmpus Florianópolis, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está desenvolvendo um drone semi-autônomo equipado com visão computacional e inteligência artificial para lançar tags de monitoramento em baleias.
O projeto "Smart Drone to Tag Whales" foi um dos contemplados nos WILDLABS Awards 2025, recebendo US$ 10 mil para compra de materiais – parte de US$ 350 mil distribuídos em até 15 iniciativas globais de tecnologia para conservação, apoiadas pela Arm.
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Representando o IFSC à frente das iniciativas está o professor Leandro de Medeiros Sebastião, e o time completo é multidisciplinar e inclui biólogos e engenheiros da UFSC, como o professor Leandro Becker (DAS/UFSC - Coordenador). Os professores do IFSC Matheus Pinto e Gabriel Macedo também estão no time.
Biólogos da UFSC monitoram baleias na Costa Catarinense coletando água de borrifos e tags adesivas medindo itens como temperatura, batimentos cardíacos e dados comportamentais. O método tradicional com barco e uma longa vara para acoplar o dispositivo era demorado e custoso, e foi então que uma pesquisa estrangeira sugeriu o uso de drones na tarefa.
A equipe do IFSC customizou o SplashDrone (prova d'água), substituindo sua eletrônica por soluções próprias e código aberto para estabilidade e baixa latência. “Compraram SplashDrone por ser robusto para mar, mas ele entrava água salgada, caía e estragava. Modificamos a eletrônica interna com nossa expertise para melhorar controle e transmissão”, detalhou Leandro.
IA embarcada e testes na Lagoa do Peri
Com apoio do DAS/UFSC, a equipe do IFSC embarcou computadores com IA nos drones, capazes de detectar baleias automaticamente ou alertar o piloto para a hora correta da soltura do dispositivo. O prototipo dimensionado no IFSC (motores, hélices, modularidade) mostrou-se estável e suportando a carga, de cerca de um quilo, contando o dispositivo e o suporte. Na última semana, no dia 14, o drone foi testado na Lagoa do Peri. Segundo Antônio Groehs de Oliveira, bolsista da equipe de drones do IFSC e piloto, o teste foi um sucesso.
“O drone voou de maneira fantástica, gravamos vídeos para validar o algoritmo de visão computacional – sem IA real ainda, mas confirmando seu poder computacional. Pilotei sem incidentes em ambiente controlado, preparando para o oceano”, afirmou Antônio. O professor Leandro completa: “Hardware é nosso, o software de automação é expertise da UFSC. Juntamos as peças e gravamos como se o drone estivesse em missão real. A próxima missão é integrar voo com comandos da IA.”
A expectativa da equipe é ter o drone o mais próximo do ideal já na próxima temporada de observação. “Prestamos contas dos resultados iniciais e agora miramos a temporada de baleias, em maio, para testes reais, ajudando biólogos que seguem com o modelo tradicional”, disse o professor Leandro. Segundo ele, os biólogos estão ansiosos com o upgrade para melhorar a eficiência. das análises.
Trajetória do aluno e impacto das competições
Antônio, o piloto, é ex-aluno do Técnico em Eletrotécnica do IFSC. Foi no curso que descobriu a paixão por drones na equipe do Câmpus Florianópolis e em competições da modalidade que participa desde 2022. “Eu entrei na eletrotécnica e essa não era uma área que eu tinha muito interesse. Porém, ao longo do curso eu fui me interessando mais por essa parte da elétrica, criação de sistemas elétricos, componentes eletrônicos. E daí eu me interessei pelo laboratório, vi o pessoal em 2021 praticando, fazendo a primeira competição e em 2022 eu entrei como voluntário para aprender a montar os drones e realmente colocar o que eu aprendi na eletrotécnica em prática", destaca Antônio.
Atualmente aluno do curso superior em Animação da UFSC, Antônio vê em projetos como esse a oportunidade de aliar sua área de interesse e expertise em algo que será útil para outras áreas da sociedade. “É muito gratificante, pois eu já trabalho há quatro anos aqui dentro do laboratório. Então, principalmente a partir das competições que a gente mesmo criou dentro do câmpus é que a gente vai treinando os alunos aos poucos, tanto ensinando eles a programar o drone, montar toda a estrutura e também a pilotar, que é a minha função. Participar de um projeto bem diferente, com uma área totalmente diferente da minha, que é a parte da biologia, é muito interessante de ver essa parte da integração do drone", complementa.
O aluno lembra que o drone, apesar de ser um equipamento tecnológico extremamente recente, já está sendo aplicado em diversas áreas. Pelo lado dos programadores de drone, essa versatilidade tem sido benéfica para adaptar os aparelhos a diversos usos. “Competições treinam competências reais, como inspeções áreas. Aqui, resolvemos problemas complexos como detecção de baleias em movimento – que é mais sofisticado que pousos automáticos. Porém, as competências para as duas funções são as mesmas”, complementa o professor Leandro.