EXTENSÃO Data de Publicação: 30 mar 2026 17:36 Data de Atualização: 31 mar 2026 17:54
Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), recebeu nesta semana o "Curso de Educação para a Destinação Socioambiental de Resíduos Eletroeletrônicos". O evento, realizado entre os dias 25 e 27 de março, faz parte do projeto nacional ReciclaON e busca capacitar catadores de materiais recicláveis para o processamento, desmontagem e destinação ambientalmente segura e rentável desse tipo de material.
As atividades práticas e teóricas foram realizadas no Laboratório de Materiais da instituição. A iniciativa é uma realização do Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, em parceria com o Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Universidade de São Paulo (USP), e conta com o apoio financeiro do Fundo Socioambiental da CAIXA. O projeto tem duração prevista de 42 meses e uma meta ambiciosa: estruturar cooperativas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, oferecendo à população uma alternativa adequada para o descarte de eletrônicos e eletrodomésticos.
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Para o IFSC, receber um evento dessa magnitude reforça o papel da instituição na comunidade e a conexão com práticas sustentáveis. A professora Daiane Cristini Barbosa de Souza, da Diretoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão do Câmpus Florianópolis e articuladora da capacitação, destaca como a parceria pode se tornar duradoura e se expandir internamente. "Foi uma espécie de projeto piloto para nós. Vamos ver como podemos ampliar a oferta, fazer isso talvez de forma anual e também fazer a capacitação de estudantes. A ideia é entender, fazer os aperfeiçoamentos necessários e estender a parceria, com certeza", completa a professora.
Aulas práticas orientam os catadores sobre o manuseio adequado dos equipamentos
O treinamento oferecido em Florianópolis abrange muito mais do que a triagem básica. Os participantes aprendem técnicas corretas de desmontagem dos equipamentos, conhecem os riscos da manipulação inadequada de componentes tóxicos e recebem orientações sobre o mercado atual de comercialização desses resíduos. Além disso, o projeto prevê cursos de gestão para aprimorar a administração gerencial das cooperativas e fomentar a atuação em rede.
O instrutor do curso e representante do Instituto GEA, Augusto Azevedo, explica a dinâmica das oficinas e as técnicas que garantem segurança e valorização do material recolhido. "Na oficina de desmontagem a gente ensina quais são as peças essenciais do computador para os catadores e quanto tem de valor. Então, eles começam a utilizar essa desmontagem com um processo mais adequado, sem usar marreta, sem quebrar esse eletrônico, causando menos risco ao meio ambiente e também menos risco à saúde deles", complementa.
Os equipamentos eletrônicos possuem componentes que garantem alto retorno financeiro para as cooperativas quando identificados e separados de forma correta. "A maior parte dos componentes de computadores, principalmente placa-mãe, memória RAM e processador, eles são ricos em ouro, prata e cobre, que são metais preciosos. Hoje, inclusive, se usa o termo garimpagem urbana para buscar esses materiais, porque é mais fácil a gente encontrar, por exemplo, 1 kg de ouro em computadores, notebooks usados do que no minério de ouro especificamente", destaca Augusto.
Técnica Local do Instituto GEA e estudante do curso de Engenharia Eletrônica do Câmpus Florianópolis, Letícia Rocha complementa sobre o caráter socioambiental do curso. "Atualmente, a gente não tem uma destinação correta dentro das cooperativas e esses catadores, eles tiveram essa oportunidade de saber como manusear de forma correta e até como conseguir remuneração com esses materiais eletrônicos que são descartados atualmente no lixo comum. Eu vejo isso como um avanço socioambiental de Florianópolis e uma oportunidade muito grande de trazer pessoas para dentro das universidades.", complementa.
Valor agregado
A destinação correta do lixo eletrônico não é apenas uma questão de mitigação de danos ambientais, mas também uma grande oportunidade de geração de renda. Entre as organizações locais participantes da capacitação está a Sul Recicla, cooperativa localizada no bairro Campeche, no Sul da Ilha.
O representante da cooperativa, Giordano Sbruzzi, aponta a diferença que o conhecimento técnico trará para a rotina de trabalho das equipes de triagem. "O pessoal já descarta os eletrônicos, mas nós não tínhamos essa complementação, de estar aprimorando mais um conceito e tendo mais uma técnica na hora da separação dos componentes, para não danificar, não ter riscos de contaminação também. Fazendo o trabalho da forma adequada, segura vai ter um resultado final com melhor valor agregado na venda do produto", destaca.
Para o IFSC, além de anfitrião, o momento de capacitação pode ser uma forma de conectar o câmpus com novos públicos, mostrando suas potencialidades. “Certamente é uma porta de entrada para que as pessoas que participaram desse curso estejam aptas a procurar os cursos do IFSC. Estando aqui na instituição, nós vimos que tem todo um suporte, tem toda uma estrutura que também pode estar atendendo o pessoal da cooperativa, os cooperados, enfim, dando uma qualificação, uma alternativa, uma possibilidade de estar fazendo um curso ou um treinamento técnico adequado” reforça Giordano.
Após a etapa de capacitação, os técnicos do Instituto GEA continuarão monitorando as cooperativas para garantir a correta integração aos processos de logística reversa e promover a conscientização da população local.