​​O retorno à Lua: Missão Artemis II e a nova era da exploração espacial

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 01 abr 2026 18:23 Data de Atualização: 02 abr 2026 10:17

A humanidade está prestes a reviver a emoção de uma viagem lunar. Nesta quarta-feira (1º), a NASA tem previsão de lançar a missão Artemis II, marcando o retorno de missões tripuladas ao redor da Lua após mais de 50 anos da última expedição da era Apollo. Embora não envolva um pouso imediato na superfície do satélite natural, a missão representa um marco fundamental para o futuro da exploração espacial.

O Coordenador de Observação Astronômica do Núcleo de Estudo e Observação Astronômica "José Brazilício de Souza"  (Neoa-JBS), do Câmpus Florianópolis do IFSC, professor Alexandre Amorim, explica as peculiaridades deste novo passo tecnológico. "O grande detalhe dessa nova missão é que vão ser quatro astronautas que vão fazer uma viagem de circunavegação à Lua. Eles não vão pousar", pontua o professor. Além disso, a missão quebra paradigmas históricos de representatividade: "Essa missão tem várias outras curiosidades. É a primeira participação de um astronauta não americano (um canadense) numa missão lunar e a primeira participação de uma astronauta mulher, que também vai circunavegar a Lua".

A astronauta é a engenheira Christina Hammock Koch, especialista de missão. Ela fez parte das três primeiras caminhadas espaciais femininas da Nasa e tem experiência de voo espacial contínuo.

Legado da Apollo e a nova corrida espacial

Os experimentos realizados pela Artemis II são um reflexo de uma jornada tecnológica que se iniciou na década de 1960. Segundo Amorim, o objetivo de circunavegar o satélite antes de tentar um pouso repete o modelo de sucesso de missões anteriores. "A primeira viagem de circunavegação da Lua foi em dezembro de 1968, que foi a Apollo 8. E pelo fato de ser Apollo número 8, lá naquela época, ela era parte de todo um programa. Então, cada missão Apollo tinha objetivos básicos. Essa missão Artemis II agora tem objetivos muito parecidos. Primeiro, uma circunavegação, mas dentro de todo o programa, passo a passo, eles vão ter novas conquistas, como também novamente um pouso", detalha.

O retorno do interesse internacional pela Lua, contudo, não é fruto apenas da curiosidade científica. Durante a Guerra Fria, a "corrida espacial" era polarizada entre os Estados Unidos e a União Soviética. Hoje, o cenário geopolítico espacial inclui novos protagonistas. O professor relembra que a vontade de voltar à Lua é antiga, passando por projetos abortados por administrações anteriores nos EUA, como o programa Constellation, no início dos anos 2000.

Agora, a pressa americana também esbarra nos avanços de rivais. "Basicamente a China está lançando tecnologia própria. A China tem a sua própria estação espacial (Tiangong) e já conseguiu levar um robô na superfície lunar. Eles também têm os seus planos de colocar um taikonauta, um astronauta chinês, no solo lunar", ressalta Alexandre.

Para os entusiastas da astronomia que desejam acompanhar missões como a Artemis II, olhar para as estrelas, ou simplesmente entender mais sobre o universo, o IFSC oferece um espaço aberto a toda a comunidade.

O Núcleo de Estudo e Observação Astronômica "José Brazilício de Souza" (Neoa) é o coração da astronomia no Câmpus Florianópolis. O coordenador convida os estudantes e a comunidade a participarem dos encontros semanais. "Nosso encontro regular é toda quarta-feira, seja na sala de aula ou até em observações no pátio. Todos são convidados. O horário que nós fazemos nossas atividades é justamente entre turnos, às 17h30, quando termina o turno vespertino e antes de começar o noturno. Então, alunos poderão participar das nossas atividades, seja assistindo palestras ou participando das observações", finaliza.

Para mais informações sobre o projeto de extensão, os interessados podem procurar a página oficial do Neoa no portal do IFSC.  

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